domingo, 7 de outubro de 2012

* Um Quase Namoro

“Estava eu paquerando uma menina que me dava maior bola e fazia o meu ego inflar tanto que chegava a dar cosquinha no cérebro. Dava de ver que o interesse era recíproco: começamos arrastando uma asa depois já estávamos com os quatro pneus arriados um pelo outro e vice-versoçamente viamos que fomos feitos um para o outro. Lembro que me apaixonei por ela por causa de seus olhos que pareciam pedras de seixo irregulares (desde pequeno sempre gostei dessas pedrinhas). Mas o principal motivo, além da aparência, confesso, foi o fato dos cabelos dela estarem sempre cheirando a churrasco. Um belo dia saímos, como de praxe, prum desses parquinhos grotescos da vida, por um motivo muito simples: eu era mais liso que peixe na manteiga, quando metia a mão no bolso só tirava cinco dedo, desempregado errante, vencido pela vida. Queria leva-la para um lugar mais melhor de bom, porém, nenhum ônibus passava nesse lugar.
      Apesar disso o local tinha algumas coisas legais. Havia nele um painel, onde tinham desenhado um príncipe e uma princesa. Detalhe: no lugar do rosto havia apenas um buraco onde os casais e possíveis casais se dirigiam para trás e enfiavam a cabeça, ganhando um novo corpo para então tirar foto. Eu olhei para aquilo com um certo descaso e pensei: “Que coisa fútil, só um idiota tiraria foto ali”. Engoli a seco minhas palavras. 
        -Vem comigo" 
        -Pra onde? – perguntei 
        –Você vai ver... 
     Foi tudo o que ela disse. Pelas coordenadas e pelo nosso deslocamento espaço-temporal percebi que estava sendo sugado, como uma ovelha para o matadouro, diretamente para o lugar onde se tira foto. Conclui que quando você está apaixonado,  acaba fazendo coisas idiotas coisas que não quer. Coloquei meu rosto ali e dei um largo sorriso extremamente forçado. Fiquei cego de tantos flash em cima dos olhos. Após esse "verde" da parte dela (mais verde que isso impossivel né?), vi que já estava mais do que na hora te tomar alguma atitude. A gente era praticamente namorado. Ninguém olhava para gente e dizia: "eles são bons amigos!" muito pelo contrario.., para sacramentar o namoro, só faltava apenas um beijo. Senti um clima rolando, então segurei na mão dela e nós ficamos um bom tempo nos olhando. Eu me aproximava sutilmente dela, como uma mariposa atraída pela chama. Quando finalmente chegamos a uma boa distância de perto, do nada (e aqui eu tenho que repetir) do nada, do nada aparece um cara rodando uma chave de carro no dedo, dizendo: 
       – Dá licença, por favor, que tenho que tirar uma foto com ela. 
       Ela solta minha mão e eu, surpreso, pergunto: 
       – Quem é ele? 
       – É um amigo meu, que me dá carona TODOS os dias (todos os dias...) 
      – E você vai tirar foto com ele aqui, nesse lugar? (a essa altura, tirar uma foto ali pra mim significava muita coisa... ah, eu na hora me esqueci de falar: "na minha frente?" ia ser mais doido se eu tivesse dito isso...) 
      –Aii, é q..uuu.ee...ee.. – e começou a gaguejar... Nisso o cara tava adorando ver meu drama e já tava se sentindo o Ricardão (cabra safado). Enfim, depois desse vexame todo, eu, indignado, digo: 
     –Ahhh não meuuu!!! Agora você vai ter que escolher. Ou eu ou ele!! (toma tua merenda!) A reposta dela eu nunca vou esquecer: – É que.... isso é que nem o Edward e o Jacob, não dá pra escolher.... (Agora dorme com essa...)

_________
*Essa desilusão foi um fato verídico ocorrido com um amigo do vizinho da cunhada do primo de uma tia minha que quase namorou uma menina. Apesar de ter acontecido com outra pessoa, os fatos foram narrados na primeira pessoa pra dar mais impacto. Era o que cumpria relatar.
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

Um comentário:

Marcadores

Seguidores

Siga por e-mail

Popular Posts

Random Posts

Flickr

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Popular Posts